O livre irresponsável: a questão da justiça

Uma importante implicação das questões até agora discutidas é justamente a da responsabilidade. Antes, porém lembremo-nos de que em nenhum lugar na Bíblia a responsabilidade está vinculada ao livre-arbítrio.


Porém, podemos sim, perguntar, como ser considerados responsáveis por nossas ações, a menos que as ações da vontade estejam diretamente presas ao caráter? É precisamente sobre esta base que se alicerça a justiça! Urramos de raiva quando uma injustiça é cometida ou quando um crime hediondo não é punido. Mas como responsabilizar ladrões, assassinos, psicopatas e afins, se eles apenas são a conseqüente expressão insana de uma vontade protegida pelo acaso, absolutamente espontâneo?


Permitam-me explicar: A única acusação que pode recair sobre os ombros do delinqüente e transgressor, é a acusação de que ele cedeu à sua vontade. Quando ceder à vontade diz respeito a comer mais um pedaço do seu doce preferido em meio à dieta, ou a comprar o mais novo item de questionável utilidade doméstica, ninguém reclama. Mas quando falamos de assassinos e ladrões, a coisa muda de figura. Entretanto, não raro temos levado a loucura aos tribunais, a ponto de, sem saída por não conseguir provar a inocência, assume-se a “autoria dos fatos” como um agente da passiva (lembram?!?!?), isto é, como um infeliz que precisa de tratamento médico e psiquiátrico, porque cedeu à sua vontade doente... Os demais, que fazem o mesmo, cedendo às suas vontades, constantemente, limitadas a questões sobre comer doces, comprar compulsivamente e assim por diante, andam na rua sem menor problema e podem muito bem estar bem próximo de você neste momento! Ou somos todos loucos, ou louca é a teoria do livre-arbítrio!


O homem possui vontade, faz escolhas e é responsável. Porém sua vontade não é indeterminada, antes é fruto do seu próprio caráter. Suas escolhas são reais, porém, escravas de sua vontade maior! Ou sua vontade buscará agradar a si e/ou Ídolos, ou agradar a Deus! E ele é responsável por tais escolhas, uma vez que todos, nem que seja a partir do mínimo, têm o conhecimento de Deus que os torna indesculpáveis – vide Romanos 1.


Aliás, é sobre a base do conhecimento que repousa a responsabilidade, e não sobre a base da pretensa liberdade de escolha. “O corpo total da legislação e da ética ocidentais depende do reconhecimento universal de que as ações são o escoamento responsável do caráter de uma pessoa”(Wright, 1998, p.49).

Comentários

Anônimo disse…
Meu Caro Pastor Jonatas,
Parabéns pelos textos. Cada vez melhores e abrangentes, apesar de específicos. Por isso mesmo, imperdíveis.

Abs do Brito
Brito, quanto tempo! Grato pelas palavras. Abcs
Paulo Sergio disse…
REV JONATAS TE ADMIRO MUITO, POR SER TÃO NOVO NO MINISTÉRIO E TÃO PROFÍCUO. QUE O SENHOR LHE CONCEDA MUITOS E MUITOS ANOS NO SERVIÇO DO MESTRE. FICO ORGULHOSO QUE MINHA FAMILIA ESTEJA SOB SEUS CUIDADOS ESPIRITUAIS. PARABÉNS E OBRIGADO!!!
Parabéns Rev. Jônatas pelo seu blog e pelo excelente post! Claro, objetivo e com a sabedoria que lhe é própria. Espero falar com você pelo msn qualquer dia desses.

abs,
seu amigo,
Ricardo Rios